Uma das primeiras, e talvez uma das mais importantes, discussões
sobre psicopatologia diz respeito à questão da normalidade. Existem
várias definições sobre o que é "normal". Estatisticamente, normal
refere-se a uma propriedade de uma distribuição que aponta uma
tendência, o que seria "mais comum" de encontrar em determinada amostra,
o mais provável (cf. distribuição normal). Assim, o normal é o que seria o mais provável de encontrarmos numa população, o comum, o esperado.[4]
Portanto, deste ponto de vista, os comportamentos que são considerados
típicos, ou seja, que são os "esperados" de se encontrar ou de acordo
com os padrões sociais aceitáveis para o agir, podem ser considerados
comportamentos "normais".[5]
Nessa definição, os parâmetros da cultura (morais) são a referência
para aquilo que é o esperado em termos de comportamento, e o que estiver
fora deste padrão, já pode ser pensado como indício de patologia. A
norma ou referência da saúde mental seria um "comportamento médio" da
população, e a partir deste os comportamentos individuais poderiam ser
avaliados.
Saúde, normalidade e psicopatologia são termos altamente
relacionados. A psicopatologia passa a ocorrer quando o comportamento de
uma pessoa, ou eventualmente de um grupo de pessoas, foge àquilo que é
esperado como referência de determinada sociedade, quando a pessoa passa
a ter alterações importantes em relação ao comportamento que tinha no
passado, com prejuízos significativos em seu funcionamento
(comportamento), causando a si e a outros, especialmente seus
familiares, acentuado grau de sofrimento. Tem-se como expectativa que a
normalidade seja o tipo de comportamento que mais ocorre em qualquer
cultura.
A saúde mental, por sua vez, seria então uma condição ideal ou
desejada para que essa normalidade possa vir a existir, com qualidade e
capaz de oferecer as melhores condições para que as pessoas vivam
satisfatoriamente, produzam com eficiência e possam gozar de certo grau
de felicidade para com as pessoas próximas a si. Segundo a OMS,[6]
a saúde mental refere-se a um amplo espectro de atividades direta ou
indiretamente relacionadas com o componente de bem-estar, que inclui a
definição de um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e
não somente a ausência de doença. Este conceito engloba não apenas o
comportamento manifesto, mas o sentimento de bem-estar e a capacidade de
ser produtivo e bem adaptado à sociedade.
Considera-se a presença de alguma psicopatologia a partir de
critérios diagnósticos. Esses critérios são catalogados em manuais que
apresentam o conjunto de sintomas necessários e suficientes para que se
possa considerar que alguém está apresentando algum tipo de transtorno
mental. Os critérios variam muito de grupo de transtornos (p. ex.,
transtornos de humor e transtornos de ansiedade possuem diferentes
critérios gerais) e dos transtornos entre si (p. ex., transtorno
depressivo maior e distimia), exigindo muitas vezes a elaboração de um
diagnóstico diferencial. O Manual Diagnóstico e Estatísticos de
Transtornos Mentais e de Comportamento da Associação Psiquiátrica
Americana,quinta edição (DSM-5),
que é o manual utilizado nos Estados Unidos como referência para
entendimento e diagnóstico, define os transtornos mentais como síndromes
ou padrões comportamentais ou psicológicos com importância clínica, que
ocorrem num indivíduo.
Estes padrões estão associados com sofrimento, incapacitação ou
com risco de sofrimento, morte, dor, deficiência ou perda importante da
liberdade. Essa síndrome ou transtorno não deve constituir uma resposta
previsível e culturalmente aceita diante de um fato, como o luto. Além
disso, deve ser considerada no momento como uma manifestação de uma
disfunção comportamental, psicológica ou biológica no indivíduo. O
DSM-IV-TR assinala que nem comportamentos considerados fora da norma
social predominante (p. ex., político, religioso ou sexual), nem
conflitos entre o indivíduo e a sociedade são transtornos mentais, a
menos que sejam sintomas de uma disfunção no indivíduo como descrito
antes.[7]
São vários os fatores que podem caracterizar um transtorno. De
forma geral, considera-se que a presença de uma psicopatologia ocorra
quando houver uma variação quantitativa em determinados tipos
específicos de afetos, comportamentos e pensamentos, afetando um ou mais
aspectos do estado mental da pessoa. Neste sentido, a psicopatologia
não é um estado qualitativamente diferente da vida normal, mas sim a
presença de alterações quantitativas. Por exemplo, considera-se que a
tristeza seja normal e esperada na vida de qualquer pessoa, e é mesmo
necessária em determinados momentos da vida (p. ex., em situação de
luto). Entretanto, num quadro depressivo estabelecido, a tristeza é mais
intensa e mais duradoura do que seria esperado numa situação normal e
transitória. Assim, uma situação normal e esperada torna-se patológica
não por ser uma experiência ou vivência qualitativamente diferente, mas
por ser mais ou menos intensa do que se espera em situações normais.
Edilson da Costa:Perito Criminal e Forense.,Formado em Psicopatologia pela Faculdade Sul Mineira e Pela Universidade Corporativa Unieducar,Psicanalista Clinico e Forense Filiado a A.B.P.tbm e Psicopedagogo. Formado em Ciências Neurológicas pela Faculdade Única de Ipatinga e Neurociências e Educação pela Uníntese
domingo, 19 de maio de 2019
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Prova pericial
A perícia criminal , requisitada pela Autoridade Policial, Ministério Público e Judiciário, é a base decisória que direciona a investigaçã...
-
A perícia criminal , requisitada pela Autoridade Policial, Ministério Público e Judiciário, é a base decisória que direciona a investigaçã...
-
Karl Jaspers afirmava que o objetivo da fenomenologia é "sentir, apreender e refletir sobre o que realmente acontece na alma do home...
-
As manifestações psicopatológicas podem ser classificadas de diversas maneiras:, por etiologia (a exemplo das orgânicas e psicológicas), po...
Nenhum comentário:
Postar um comentário